Baseado no livro In Moonlight Black Boys Look Blue, de Tarell Alvin McCraney, Moonlight é dividido em três partes trazendo a conturbada história de Chiron, desde sua infância até sua fase adulta, com diversas análises e criticas sociais para reflexão.
Dirigido por Barry Jenkins, o longa chega a ser um tanto exaustivo. Não traz o intuito de alegrar ao telespectador. Suas intenções, além de adaptar o livro de nome semelhante, é de denuncia e crítica.
AVISO DE SPOILERS
Como já dito, a narrativa é divida em três partes. A primeira Little, abordando a infância de Chiron; seguida por Chiron, explorando a adolescência do protagonista; e encerada por Black, sua fase adulta. Cada uma explorando uma parte de sua vida, assim como diversos problemas sociais de grande relevância e polêmica.
Apesar da fama adquirida pelo filme de "New Brokeback Mountain", e de ser glorificado pelas academias de cinema como uma revolução, principalmente pelo o público LGBT, é de se lembrar de que o filme não traz apenas uma crítica/analise social. Há muito mais, e é igualmente é apresentado, como por exemplo: Homossexualismo, drogas, pobreza e o fato de alguém ser negro e etc.
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Os personagens Kevin e Chiron; |
Chiron, o protagonista, é um jovem confuso. Conturbado. Sua mãe é uma viciada que agride verbalmente e até fisicamente seu filho, e pouco parece se importar. Futuramente, chega a pegar o pouco dinheiro da família para manter seu vício. Seu mentor, Juan, é um traficante, mas a maior influência do jovem. O único que o entende e da suporte a criança. Orienta e guia-o. De certa forma, Juan é o pai que Chiron não teve. Kevin é seu melhor amigo, e a primeira pessoa com que se relacionou de alguma forma amorosa. Em sua infância e adolescência, fase em que encontra-se fraco e frágil, há personagens que o provocam e agridem verbal e fisicamente.
Moonlight foi realmente uma grande surpresa. Oito indicações ao Oscar, três vitórias, sendo estas Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado. Um filme de tão baixo orçamento, revelando a triste verdade do preconceito, do mundo das aparências e das drogas.
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Sanders, Hibbert e Rhodes; |
Apesar de um pouco exaustivo, o filme revela problemas reais, que são ainda mais atenuados pela forma como a história se desenrola. Sua fotografia abrange muito bem a pobreza de seu ambiente e até mesmo, juntamente com outros recursos, uma abordagem da Black Culture, muito presente em diversos filmes e séries que retratam histórias de negros. Apesar de a música não ter muito destaque, chega a ser intensa quando necessária.
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Noamie Harris; |
Chiron é interpretado por três atores, cada um em uma de suas fases. Alex Hibbert, em Little; Ashton Sanders, em Chiron; e Trevante Rhodes em Black. O personagem é tímido e recuado. As atuações não poderiam ser diferentes, mas nem por isso deixam de ter seus grandes ápices, como quando a mãe de Chiron o chama de “bicha" pela primeira vez, ou quando o protagonista tem seu primeiro beijo com Kevin ou agride Terrel, ou até mesmo quando encontra Kevin em capítulo Black e ficam a sós.
Kevin é outro personagem que passa por três atores. Jaden Piner, Jharrel Jerome e André Holland, respectivamente. O jovem foi o melhor amigo de Chiron, e posteriormente, seu primeiro interesse amoroso. Apesar de menos tempo de cena, é um personagem mais participativo, dando para seus atores mais chances de brilharem.
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Mahershala Ali; |
Paula, Naomie Harris, é a mãe de Chiron. Apesar de pouco tempo de tela, uma grande atuação. Passando de mãe pela típica mãe ausente e “preocupada”, para uma viciada até uma idosa arrependida. A atuação de Harris, principalmente por suas mudanças devido as diferentes tempos em que o filme se passa, é realmente um destaque.
Juan, interpretado pelo grande Mahershala Ali, é o mentor e maior influência de Chiron. Sempre respeitando e auxiliando-o da melhor forma que pode. Um dos maiores destaques do longa. O ator, não só deixou uma grande marca neste filme de orçamento pequeno, como também levou o oscar de Melhor Ator Coadjuvante.
CONCLUSÃO
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Alex Hibbert e Mahershala Ali; |
Caso busque divertimento, esta no lugar errado. O longa traz um teor sério, crítico e de denúncia. Mesmo um tanto exaustivo, todos deveriam, ao menos uma vez, assistir Moonlight. Retratando diversos problemas sociais e fazendo críticas severas e impactantes tanto para atitudes de intolerantes (bullying) como ações inconsequentes (vício), Barry Jenkins, o diretor, deixa uma marca tanto no mundo do cinema como nos telespectadores.
8.5/10 ESTRELAS
- Orelha;
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