A Monster Call (Sete Minutos Depois da Meia-Noite): Muito comovente, para ser adulto. Muito sábio, para ser jovem.



Baseado no livro de Patrick Ness, e roteirizado pelo mesmo, o diretor espanhol J.A.Bayona trás para as telas com grande impacto uma história capaz de prender e comover qualquer um que tenha entrado nas salas de cinema, mesmo que forçado e a contra gosto.
O longa narra a trajetória do britânico Conor O’Malley (Lewis MacDougall), um garoto de treze anos que passa por um conturbado momento em sua vida, no qual seu pai, Liam, é ausente, sua mãe, Lizzy, possui uma doença terminal, sua avô é amarga e, na escola, o pré-adolescente é maltratado.
Em meio a todos os problemas, sete minutos depois da meia noite, um grande Monstro (Liam Neeson) vem visitar Conor, prometendo voltar até que conte três histórias e escute a quarta do jovem O’Malley.



- Como essa história começa?
- Com um garoto. Muito grande, para ser criança. Muito jovem, para ser um homem.



O trama possui diversos traços de que é um filme voltado para crianças, mas não deve deixar levar por isso. O efeitos especiais, fotografias e montagens são espetaculares, e, deveras, irão atrair um publico infantil para dentro das salas de cinema. A maneira como ocorrem os principais diálogos entre Conor e o Monstro trazem lições que são tentadas passar para crianças. Mas não se acanhem. O filme é para um entendimento, e voltado, ao público adulto, mesmo com uma classificação “acima de 10”.
Respectivamente, Patrick Ness e J.A. Bayona.
O filme de 2016, que apenas agora chegou nos cinemas brasileiros, possui um roteiro muito bem trabalhado e diversificado. Traz cada personagem em um momento oportuno para mostrar como ele, Conor e as histórias do Monstro estão relacionados, sem fazer com que esquecemos do que, e como, esta acontecendo.
O longa envolve ainda mais com suas excelentes tomadas de câmera, conseguindo captar o sentimento que as cenas passam. A trilha sonora, do espanhol Fernando Velázquez, tem pontos muito altos, e complementa na comoção da narrativa.
A atuação, também, é excelente, chegando a surpreender, principalmente com Lewis MacDougall, que interpreta Conor O’Malley.
A união de roteiro, atuação, visual, música e direção não são perfeitos, mas chegam perto de merecidas 5 estrelas com este comovente longa.

AVISO DE SPOILERS

Vista da árvore anciã e da igreja.
Situado em uma cidade britânica, Conor O'Malley, quando não atarefado com seus problemas familiares e escolares, passa parte do tempo que lhe sobra desenhando ou com sua mãe, que encontra-se em estado terminal. Quando dorme, tem pesadelos com Lizzy. Sonha que esta segurando-a para que ela não caia em um abismo, porém, sempre acorda após não conseguir ser capaz de salva-la.
Em seu quarto, há uma vista para uma antiga igreja, a qual próxima dela há uma grande e antiga árvore. Sete minutos depois da meia-noite, a árvore torna-se um Monstro, e vem para ajudar o garoto, contando, por vez, três histórias que, mesmo não sendo compreendidas na hora pelo jovem, ajudam-no a lidar com seus problemas. Apesar de Conor não querer, o Monstro impõe que as histórias serão contatas, as três que tem guardadas, e a quarta que será será do próprio jovem.
Lewis MacDougall como Conor O'Malley e Liam Neeson dando voz e movimentos ao Monstro.
Em apenas 108 minutos de filme, MacDougall conseguiu surpreender a todos sendo Conor O’Malley. O garoto reencarnou uma criança lidando com grandes dificuldades e problemas. Não que o roteiro e as câmeras não o tenham ajudado, mas seria um crime falar do filme e não prestar uma homenagem ao garoto que sorriu, fez sorrir, chorou e fez chorar.
MacDougall interpreta um personagem criança e confuso sobre como lidar com suas situações diárias. Um jovem que busca uma justificativa para suas dores, chegando até a questionar se haverão punições para quando faz algo errado. A dor que o garoto transmite esta visível em expressões, tanto como nos mais fortes ataques de fúria, como nos mais tristes momentos de aceitação e resignação.
Sigourney Weaver, como avó de Conor, também merece grande destaque. A senhora demonstrou suas habilidades na tela atuando como a megera que Conor sempre enxergou e conseguiu transitar de maneira natural para uma pessoa que esteva sofrendo muito. Transição de quando os dois personagens não se entendiam até começarem a se compreenderem.
Felicity Jones como Lizzy.
Felicity Jones vem para um papel deveras diferente do que esta acostumada a interpretar. Com poucas, mas importantes e impactantes presenças, ela consegue, sem roubar a cena, trazer todo o sofrimento de estar, aos poucos, falecendo, encarando sua situação, e tentando contornar a verdade para não preocupar ainda mais o jovem Conor.
Liam Neeson da sua voz e movimentos ao Monstro, uma espécie de mentor de Conor. Com suas histórias ele vai ensinando o jovem O’Malley a encarrar todos os seus problemas a partir de um diferente pouco de vista. De certa forma, ajuda a criar novos laços com a avó, a compreender seu pai, enfrentar Harry, o garoto de quem apanhava, e a aceitar o fim das dores de sua mãe, coisa que Conor mais deseja, mas não tem coragem de enfrentar.

Lewis MacDougall como Conor O'Malley.
CONCLUSÃO

Em meio aos conturbados problemas de Conor O’Malley, Bayona é capaz de contar uma pequena grandiosa história. Uma trama com muito a ensinar e a acrescentar ao público adulto. Todos os elementos do cinema para se fazer um longa, unidos sob a supervisão do diretor, não conseguiram um resultado menor do que espetacular. Uma verdadeira lição sobre como lidar com crianças.

10/10 Estrelas.
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Um comentário:

  1. Um excelente trabalho do protagonista. Eu adoro muito os livros por as histórias e sem dúvida quando vi o filme A Monster Calls já queria assistir e agora é um dos meus preferidos. Li o livro em que esta baseada faz alguns anos e foi uma das melhores leituras até hoje, e sem dúvida teve uma grande equipe de produção. É muito inspiradora, realmente a recomendo.

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